ANGEOLOGIA JUDAICA 1 – PARTE 1

Pela Graça de D’us.

Prezado Rabino e Prezados Amigos:

Peço permissão ao Rabino Avraham, para comentar sobre o presente shiur.

A aula se inicia com o Rabino explicando que, na mente humana, somente o seu nível mais superficial é conhecido, e este nível é chamado de consciência. Entretanto, o Mestre ensina, há outro nível para a mente humana: o subconsciente, em que ninguém sabe o que está lá contido, sendo esta uma característica da raça humana, e uma das grandes diferenças entre os homens e os anjos. O homem recebe e guarda uma grande parte de seu vasto conhecimento, acumulado ao longo do tempo, no subconsciente. Porém, acessar, compreender e decifrar isso é muito difícil: há pessoas que levam muitos anos para entender o porquê de certas memórias, imagens, e sensações de medo ou felicidade. Até porque, prossegue o Rav, a linguagem do subconsciente, em geral, é uma linguagem simbólica, em nível de arquétipo, diferentemente da linguagem no grau consciente e racional, onde se usa as capacidades intelectuais para decifrar as causas e efeitos relacionados a determinado assunto. A mente humana, por ser dividida desta maneira, faz com que sua compreensão sobre o universo também seja – estamos sempre usando, em nossa linguagem, expressões que revelam essa separação que há, entre o consciente e o subconsciente, como “o lado físico” e “o lado espiritual”. A pessoa que não lida com os assuntos espirituais, constantemente, tende a ficar “prisioneira” em um domínio em que ela tem maior identificação, sendo este um problema da humanidade, revela o Rabino.

Ao ouvir esse trecho do shiur, me recordo de comentários anteriores, em que afirmei que os estudos com o Mestre se tratavam, na verdade, mais uma questão de sanidade e sobrevivência. Minha infância, adolescência e vida adulta, até há alguns anos atrás, sempre foi muito atribulada, no sentido de sonhos e experiências sensoriais desagradáveis. Além disso, sempre vivi em uma realidade muito abstrata, a minha tendência artística sempre foi muito forte, e é extremamente difícil, para mim, conviver com “marcas”, “preços”, “rótulos”, “diplomas”, e outros tipos de assuntos. Quando estou em um ambiente em que há este tipo de conversa, não sei o que dizer, pois não tenho, realmente, o que dizer. Por exemplo, tenho extrema dificuldade de informar para um aluno, a marca ou o preço de um teclado, ou de um microfone. Realmente não sou ligado a isso, e tenho que “fazer força” para ser alguém mais racional, no sentido de materialidade em geral. Dependendo do dia, tenho que me segurar para não sair “flutuando”. Mal posso acreditar que tenho bens materiais, hoje em dia, e Baruch Hashem por isso! Ainda bem que tenho uma esposa que, ao contrário de mim, é mais ligada a esses assuntos, graças a D’us.

O Mestre traz um trecho do livro Aromas Espirituais, de sua autoria, entre as páginas 228 e 230, para corroborar com o que foi acima explicado:

“Agora e de uma outra maneira, está escrito: ‘no início, D’us criou a luz, e Ele a mostrou para Adam haRishon, e ‘através dela, ele pôde ver’ de um canto ao outro do mundo’; algo que perdurou até a sua queda espiritual. A compreensão e assimilação da Sabedoria Divina, o grau espiritual, era ilimitado para Adam (comparada à nossa), uma vez que ele ‘via’ toda a realidade, toda a criação ‘de um extremo ao outro’ (i.e., do físico ao espiritual), ‘através de sua ‘mente’ brilhante, pois como está escrito, ‘os olhos do sábio está em sua cabeça’. A sua dramática queda espiritual causou para toda a humanindade um Mochin deKatnut – o encolhimento e restrição da capacidade do CHaBaD (as faculdades intelectuais), e em particular, diminuiriam-se os aspectos intelectuais do Da’at Elyon (o entendimento mais elevado que unifica Chochmah e Binah) e (uma vez dotado de um corpo físico) do Da’at Tachton: ‘o nível inferior de Da’at, o qual se estende nos atributos [emocionais] e se reveste neles para assim os animar e sustentar’; e todos estes aspectos possibilitam a compreensão do domínio espiritual e o reconhecimento que a ‘a terra toda está cheia da Sua glória’. No entanto, mesmo com esta ‘glória’ do Ayin Sof (Infinito) que afinal permeia toda a criação em sua completa e finita totalidade, e como em um grandioso presente de D’us que faz o milagre generoso de Se contrair, por assim dizer, e investir a Sua luz santa e ativante (or pnimi) nos níveis inferiores e impuros para que assim absolutamente tudo possa de fato existir para ‘em tempo’ promover ‘a unificação do Sagrado, abençoado seja Ele, e de sua Shechinah’, a natureza física da mente humana é de enfatizar as coisas físicas, e isso faz com que o ser humano frequentemente falhe em observar a realidade espiritual subjacente das estruturas e movimentos de nosso mundo natural. Esta falha fundamental é causada pela havdalá (separação) da mente, que naturalmente percebia os graus vários da realidade, mas que ao ‘cair’, escureceu-se e perdeu a habilidade de se manter ativamente consciente da espiritualidade em toda a criação. Esta havdalá mental se manifestou e perdura ainda em nossos dias de exílio através de uma k’lipá nogá; uma força que oculta a divindade e que impede, como um gvul (limite), com que a pessoa naturalmente possa se unir com Hashem através do ‘pensamento puro’ – incólume das forças da sitra achra (outro lado) que buscam somente engajar a mente da pessoa com pensamentos negativos e ilusões que a façam pecar, chaz v’shalom, inteiramente transcendental aos limites do Ego da pessoa e da materialidade, e unido com a essência de sua origem na Sabedoria Divina”.

Segundo o Mestre, a mente do homem pode e deve se expandir, até porque Hashem, em Sua grande benevolência, ofereceu ao homem, em particular ao Povo Judeu, uma série de “ferramentas”, para que houvesse um retorno dessa abertura de mente, ou seja, à verdadeira espiritualidade, sendo essas as mitsvót, que tem por função unir a pessoa com o Criador, e através disso, a kedushá paira sobre a pessoa, o que transforma a sua visão, outrora restrita, que agora se expande pouco a pouco, através do avodah Hashem.

Tenho muitas coisas para resolver, em minha mente, e na minha vida, para uma conexão melhor com Hashem que, no meu caso, se dá com cumprimento das Sete Leis de Nôach. Há muita coisa que ainda não consigo cumprir, e muita coisa que ainda não entendo. Porém, na minha caminhada de estudos com o Mestre, até aqui, aprendi que, quanto mais retidão, melhor.

Ao contrário dos seres humanos, explica o Rabino, os anjos não são guiados por curiosidade, eles trabalham por uma missão particular e específica. Já o homem é extremamente curioso, e demora para descobrir a sua missão de vida. Além disso, os anjos vivem em domínios do nosso universo natural, mas a nossa percepção é tão limitada que, do nosso ponto de vista sensorial, eles vivem em domínios supernaturais. Assim como crianças que têm dificuldade de entender uma conversa complexa, temos dificuldade de entender esses domínios, por nossa limitação em nossos sentidos, ilustra o Mestre. Existem anjos que são transcendentais, vivem em domínios supernaturais, mais etéreos, que estão em um posição mais elevada na hierarquia angelical, diferente dos anjos guardiões e Bnei Elokim, que, por sua vez, estão acima do homem. O ser humano, por ter uma percepção limitada, tem dificuldade de captar qualquer coisa que não tenha estrutura sólida, ou seja, forma e substância. Na verdade, ensina o Rav, temos uma capacidade mal desenvolvida, originada de Adam haRishon, mas que é muito difícil de ser desenvolvida. Não somos capacitados, naturalmente, de perceber a presença de anjos. Porém, continua o Mestre, há exceções raríssimas na Torá: por exemplo, o grande Rabi Yossef Caro, redator do Shulchan Aruch, o Código de Leis Judaico, contemporâneo do grande Arizal, em Sfat – um anjo ensinava Torá ao Rabi Yossef Caro, devido ao seu elevado nível espiritual.

Na verdade, eu sempre quis distância de qualquer tipo de visão que não a do meu mundo, por ter tido experiências atribuladas, nesse sentido. Gostaria de ser uma pessoa mais “pé no chão”, porém, tenho me pacificado, com o tempo, com esse meu aspecto. Demorou para eu aceitar isso e, graças aos estudos com o Mestre, agora tenho como me precaver de eventuais ataques psíquicos, e identificar, em certas situações, aspectos sutis de certas circunstâncias. Não que eu esteja a todo o momento fazendo sempre o que é certo, mas, sinceramente, tenho me esforçado.  É complicado, porque no meu trabalho, dependendo da pessoa que se aproxima, chego a sentir arrepios, então é muito bom saber como proceder, no sentido de defesa. Eu preciso muito do “ferramental espiritual” fornecido pelo Rabino, pois são os únicos procedimentos que funcionaram, e que fazem sentido, em relação a tudo o que vi até hoje, de todas as situações pelas quais passei. Baruch Hashem.

Somos tão limitados em nossa percepção sensorial, explica o Mestre, que não saberíamos identificar sequer sobre qualquer espécie, categoria ou classe de anjo. As espécies de anjos têm grandes diferenças – as anjos se reconhecem entre si, em sua hierarquia. Porém, apesar da grandeza angelical, nós ainda éramos maiores que todos os anjos, na época da criação da raça humana. Outra consideração do Rav: a grande diferença entre os anjos é que, quanto mais próximo do Criador, de acordo com o Olam em que vivem, mais anulados eles são, ou seja, mais bitúl eles têm.

O Rabino afirma que há uma característica humana, que os anjos não têm, e que permite que tenhamos grandes elevações espirituais: o livre arbítrio, a nossa capacidade de escolher entre o bem e o mal e, portanto, estar sujeito a recompensas ou punições.

É o livre arbítrio que me faz sentir, de um momento para o outro, de uma pessoa de bem para um completo perverso. O arrependimento é uma sensação amarga demais, e nem sempre consigo evitar uma escolha errada. Porém, como ensina o Mestre, eventuais quedas são chances para elevações. Assim não me sinto inerte, mas em movimento, para alcançar uma compreensão melhor sobre esses assuntos trazidos pelo Mestre, muito elevados e profundos. Uma coisa percebi: quando ponho em prática um pouco do que me é ensinado aqui, entendo um pouco melhor os shiurim. Quando não consigo, é como se minha visão se turvasse. Eis o porquê de eu estar lutando para seguir envolvido nos estudos, com o Rav. E a luta continua, graças a D’us.

Uma boa noite ao Rabino Avraham e a todos do Retidão Noética.

Márcio

MUITO BOM! CONTINUE ASSIM. RAB. AVRAHAM

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