PARASHÁ VAERÁ 5775

Sr. Rabino Avraham e colegas do Retidão Noética.

Solicito permissão para expor meu pequeno entendimento da Parashá Vaerá. No decorrer da semana, como sempre, ouvi todas as aulas propostas. Dentro de minha limitação de consciência minimamente compreendi a proposta do passuk, mas o que mais me fez compreender dentro – é claro – de um grau bastante simples, dada a referida limitação, foi a aula publicada pelo Mestre no dia 12 deste mês. Trata-se da aula escrita “O Perigo do Estresse”.

De antemão, peço desculpas pelos erros de entendimento e principalmente pela linguagem empregada, inclusive a metafórica, tendo em vista que posso muitas vezes comparei coisas incomparáveis, mas não com o propósito de diminuir um aspecto analisado diante do outro comparado, apenas com a intenção de aproximar o assunto a uma linguagem que me é mais próxima, em que pese o perigo disso.

Dentro de uma linguagem para mim muito particular, percebo que o Bnei Yisrael, nessa parashá, é como se fosse um batalhão de soldados com treinamento tático na melhor escola de preparação e que, além disso, traz a experiência, o know how, de outros campos de combate, demonstrado pelas inúmeras cenas de batalhas descritas na Torá, por exemplo, uma máxima que foi a luta de Ya’acov contra o anjo de Esav. A missão é especial e única: revelar Yisrael:

“Nós podemos entender algo disso, porque com a descida dessas almas tão elevadas para o exílio no Egito se faz necessário todo um processo longo de amadurecimento e, por fim, de revelação desse corpo” – disse o Mestre no shiur Vaerá 5774.

Antes de ir ao enfrentamento do inimigo o “serviço diplomático” de D-us, mesmo sabendo qual seria reação do Faraó (porque D-us é onisciente), “tentou” a libertação dos cativos de forma menos drástica para os próprios egípcios, como humildemente depreendi da Torá:

“D-us falou a Moisés, dizendo: Vai, fala ao Faraó, rei do Egito, ele permitirá que os israelitas deixem sua terra” (Vaerá 6:10-11)

Ocorre que ele não quis compreender: “Mas o Faraó pareceu obstinado e ele não lhes prestou a atenção, como D-us havia predito.” (Vaerá 7:13)

Saber reconhecer a voz do comandante numa batalha é decisivo, digo isso, pois, por experiência própria de enfrentamentos típicos de batalhão de choque em que servi. A confiança no comandante é fundamental, mesmo que as vezes não compreendamos dentro nossa lógica estreita, pois a fumaça do combate não rara as oportunidades turva do combatente.

O Mestre Avraham muitas vezes chama a atenção para nosso “racionalismo” exacerbado, tendo em vista que quase sempre em nossas decisões não colocamos D-us na “equação”. O fato conhecer a voz do comandante é – como percebo – crucial, e a Santa Torá deixa isso claro assim entendo:

“Moisés falou, interrompendo a revelação: Mesmo os israelitas não me ouvirão, ele disse. Como posso esperar que o Faraó me ouça? Não tenho autoconfiança quando falo. D-us (então) falou para (ambos) Moisés e Aarão. Ele lhes deu instruções com respeito aos israelitas e ao Faraó, rei do Egito, de modo a habilitá-los a tirar os israelitas do Egito.” (Vaerá 6: 12-13)

Nota-se que a negativa às palavras não foi somente por parte do oponente, mas também dos israelitas que não acreditaram na mensagem. Assim nos ensinou o Mestre: “eles não aceitaram o consolo. Ou seja, eles [o povo] se desesperaram completamente sobre serem redimidos em qualquer tempo, devido à falta de fôlego para respirar.” Há muitos “inimigos” internos, ou no mínimo tolerância com o que é intolerável, algo que principalmente numa situação dessas se mostra devastador.

Pois bem, o racionalismo sem D-us, sempre é caminho para o erro. O Rav, a respeito do Faraó nessa história, ensinou-nos que ele (Faraó) era um homem inteligente, como líder que era, mas que não foi o suficiente para evitar as pragas. Se o Faraó não fosse tão racionalista e servisse ao único e verdadeiro D-us e tivesse ouvido as palavras dEle teria compreendido a verdade das palavras de Hashem, que saíam da boca de Moshé. Porém, preferiu ele acreditar em seus magos (simbolizando seu próprio ego e suas “ciências” – compreendi):

“Moisés e Aarão vieram para o Faraó. Eles fizeram exatamente como D-us tinha dito. Aarão lançou seu bordão diante do Faraó, e ele virou uma víbora. O Faraó convocou seus sábios e mágicos. Os magos simbolistas foram capazes de fazer a mesma coisa com seus artifícios mágicos.” (Vaerá 7, 10:11)

“O peixe no Nilo morreu, e o rio se tornou tão poluído que os egípcios não foram mais capazes de beber a água do Nilo. Havia sangue em toda a parte do Egito. Contudo, quando os magos simbolistas do Egito foram capazes de produzir mesmo efeito com suas artes ocultas, o Faraó se tornou obstinado. Ele não prestou atenção a (Moisés e Aarão) como D-us tinha predito”. (Vaerá 7: 21-22)

“Aarão estendeu sua mão sobre as águas do Egito, e as rãs emergiram, cobrindo o Egito. Os magos simbolistas foram capazes de produzir o mesmo efeito com suas artes ocultas, fazendo rãs emergirem sobre a terra do Egito.” (Vaerá 8: 2-3)

Minimamente compreendi que até mesmo depois de perceber que os magos simbolistas jamais seriam capazes de “imitar” a D-us, em que pese tudo o que já havia acontecido ao Egito por efeitos das pragas lançadas por Hashem, ele (Faraó) permaneceu recalcitrante, provavelmente em seus “achismos” e apegado ao materialismo, uma vez que perderia seus cativos (aqui, qualquer semelhança com as pessoas distanciadas de D-us não se trata de mera coincidência). Isso é algo que o Mestre sistematicamente nos revela em suas aulas e também é o que se depreende dessa outra passagem da Torá:

“Os magos simbolistas tentaram produzir piolhos com suas artes ocultas, mas eles não puderam. (Enquanto isso), os piolhos foram atacando homem e besta igualmente. É o dedo de D-us, disseram os magos simbolistas do Faraó. Mas o Faraó permaneceu obstinado e não ouviu, como D-us tinha predito.” (Vaerá 8 14:15)

Humildemente maravilhado com essa conexão revelada pelo Mestre, uma vez que consegue nos revelar algo que com uma simples interpretação literal seria, para mim, muito difícil de perceber, compreendi que ao invés de se emular o que é reto, recaí-se nos mesmos erros daqueles que foram solapados por D-us – que Ele não permita.

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Diante do frequente estresse, depois dessa aula tenho refletido muito acerca desse assunto e, sinceramente, reconheço que na maioria quase absoluta das vezes ajo ora como aqueles israelitas que não acreditaram em Moshé ora arrogantemente como o Faraó. O Rabino demonstra tudo aquilo que nos ensina, traz-nos exemplos irrefutáveis sobre a verdade, mas mesmo assim parece que continuo recalcitrante. Verifico que todos os meus problemas se resumem na falta de confiança em Hashem, já que muitas vezes me flagro “sem fôlego”. Se pelo menos eu conseguisse agir como Moshé que – humildemente – achando-se incapaz confiou em D-us (“Interrompendo a revelação, Moisés disse: eu não tenho autoconfiança para falar. Como o Faraó prestará a atenção em mim?” – Vaerá 6:30). Certamente ainda não o consegui porque não tenho (e nunca terei) méritos como tivera Moshé e porque não confio em D-us como ele confiava.

(ESSE É UM PENSAMENTO ABSURDO. NENHUM JUDEU QUE JÁ EXISTIU, OU OUTRO, PROFETAS INCLUSIVE CHEGARAM AO NÍVEL DE MOSHE, QUEM FALAVA DIRETAMENTE COM D-US. AGORA, “VOCÊ” DIZER “SE PELO MENOS EU CONSEGUISSE AGIR COMO MOSHE”, É DE UMA PROFUNDA ARROGÂNCIA E/OU FALTA DE ENTENDIMENTO BÁSICO TÃO VIOLENTAS, QUE ME TIRA O FÔLEGO… O LADO POSITIVO, ENTRETANTO, É O IDEAL APRESENTADO E ASPIRADO. RAB. AVRAHAM)

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As coisas aconteceram assim porque assim deveria ter acontecido, mas pode se imaginar como teria sido diferente se o Faraó tivesse ouvido Hashem. No entanto, sabemos, pela Torá, como se desenrolou essa história e que quando “o Faraó viu que não havia mais chuva, granizo ou trovão, ele continuou em suas atitudes pecaminosas. Ele e seus serviçais continuaram a se obstinar.” (Vaerá 9:34)

Mesmo o homem “cego”, sem D-us, as vezes consegue ao menos minimamente “enxergar” ou desconfiar que os episódios nefastos de sua vida são frutos dessa “distância” de Hashem, mas isso não é o suficiente para procurá-Lo, dada a própria arrogância do homem. O pior de tudo é que mesmo diante dessa constatação e dos resultados de suas ações o homem permanece divorciado de D-us e vivendo como se nada tivesse acontecido – como o Rabino já nos alertou.

Restou claro para mim: mudam-se as atitudes ou se estará sempre afogado num mabúl particular – que D-us não permita.

Mais uma vez, reforço desculpas e agradeço ao Rabino Avraham pela enorme paciência em conviver conosco, mesmo que de forma virtual. Agradeço também ao Mestre pelas revelações e por ser esse arauto das palavras do S-nhor.

Tudo de bom.
Fábio

MUITO BOM EM VÁRIOS ASPECTOS. ENTRETANTO, TENTE “INVENTAR” MENOS, E SE ATER MAIS ÀS LIÇÕES. VEJA: EM TORÁ NÃO EXISTE “ACHISMOS”. TUDO PRECISA SER BASEADO NA TORÁ E NOS SÁBIOS. E SE ISSO É UMA VERDADE PARA OS PRÓPRIOS SÁBIOS JUDEUS… ENFIM, É ALGO BEM EVIDENTE. RAB. AVRAHAM

2 opiniões sobre “PARASHÁ VAERÁ 5775

  1. Rabiono Avraham e colegas do Retidão Noética.

    Muito obrigado, Rabino Avraham, pelas correções. Sem dúvida além de arrogância e falta de entendimento básico, há outros defeitos provenientes da pouca inteligência. Mas, com esforço e se tiver merecimento um dia eu espero ao mínimo compreender suas lições ao menos no nível mais elementar. Desculpe-me, mais uma vez, pela arrogância e pela falta de inteligência.

    Tudo de bom.

    Fábio

    FAVOR NÃO USAR PRONOMES PESSOAIS COMIGO, COMO “SUA”, “TUA”, “VOCÊ”, ETC. E MAIS UMA COISA, SUA RESPOSTA É UMA RESPOSTA QUE PRECISA SIM SER MAIS HUMILDE. SE AUTO-DEPRECIAR DESTA MANEIRA FEITA, NÃO EXIBE HUMILDADE ALGUMA, PELO CONTRÁRIO, SAIBA BEM DISSO. REVELA ORGULHO. UMA PESSOA HUMILDE É FELIZ E COMPREENDE BEM O SEU NÍVEL. NÃO SE DEVE PEDIR DESCULPAS PELA SUPOSTA “FALTA” (OU MESMO O EXCESSO) DE INTELIGÊNCIA, PORQUE HASHEM DEU A CADA UM SER HUMANO UM QUINHÃO A SER _REFINADO E ELEVADO_ COM A VIDA QUE TEMOS E NO TEMPO PERMITIDO DE ESTARMOS AQUI. PEDIR DESCULPAS COMO VOCÊ FEZ, AFRONTA O CRIADOR QUE LHE PRESENTEOU COM ALGO PRECIOSO: SUA VIDA. RAB. AVRAHAM

    • Rabino Avraham e colegas.

      Mestre, mais uma vez, muito obrigado. Nem isso que o Sr. explicou sobre minha resposta, ainda eu não havia conseguido perceber. Agradeço a D-us pela oportunidade de aprendizado.

      Fábio

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